quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Nunca te vi, sempre te amei.

... quando a delegação de Poços de Caldas chegou ao Congresso Estadual de Professoras em Belo Horizonte, no início dos anos 30,fez furor. Era uma moçadinha bonita- não tão linda como a de São João da Boa Vista, na opinião abalizada dp prof. Antonio Cândido de Mello e Souza, que frequentava, os dois ambientes-, mas extremamente simpática e versada nas artes de bem receber. A presença constante da grã-finagem carioca e paulista, além disso, incutira-lhes um padrão cosmopolita de bom gosto.
É bem verdade que naquele grupo jovial e buliçoso não havia niguém que se igualasse à São-joanense Lúcia Azevedo Costa. Não houve homem ou rapaz da região, de fazendeiro a banqueiro, de professor a políco, que alguma vez não tivesse se apaixonado por Lúcia , e seu andar distraido.
Pelos seus olhos suspiraram as paixões adolescentes de Antonio Candido e~Walter Moreira Salles e a paixão tardia de Chico Ciência, o Francisco Campos, jurista mais poderoso do .estado Novo.
Bastou um olhar para o Prof.Campos oferecer a República à jovem Lúcia. Da janela do seu carro, viu Lúcia e a irmã Rita passeando em Poços, tirou informações sobre a môça e incontinente enviou para São João um emissário-o dandy carioca Aloysio Salles-com uma prenda que apenas os muito poderosos podem oferecer: se Lúcia aceitasse casar-se com êle, seria promulgada uma lei do divórcio, que lhe permitiria se separar de sua esposa, que padecia de problemas nervosos. O poderoso Campos ousava enfrentar a igreja católica, bastando para tanto um consentimento de Lúcia.
Lúcia recusou gentilmente, assim como a todos os seus pretendentes passados e pretéritos. E Campos acabou se casando com a viúva do chanceler Raul Leite.
Em 1949 na faculdade de filosofia, onde se apresentou ao já então consagrado prof. Antonio Candido, sem saber que quase lhe roubara as ilusões de adolescente, ao jamais ter reparado em seus olhares apaixonados.
As mocinhas de Poços não tinham esse ar distraido e fatal de Lúcia, mas tinham lá seu encanto. Tanto quando Diva de Paiva, depois Imperatriz, entrou no recinto do Congresso, com sua boina branca, encantou imediatamente um promissor poeta local. Pouco antes de voltar para Poços, Diva comprou o jornal do dia e estava lá o poema, "A Boina Azul", dedicado a ela, e assinado por Carlos Drummond de Andrade.
Antes de pegar o ônibus, telefonou para o jornal e conversou com o poeta. Trocaram telefones e endereços. Depois disso, durante 50 anos, Diva e Carlos corresponderam-se, telefonaram-se, passaram dos velhos telefones à manivela, para linhas sem manivela, mas movidas a telefonistas, entraram na época do telefone discado, do DDD, conversando religiosamente uma vez por semana, e trocando correspondências sem parar.
Nos ouvidos amigos de Diva, Carlos falava de suas paixões e desabafou a dor maior, da perda da filha, na última conversa que tiveram. Diva falou de seus dramas, com o ar jovial e otimista de quem via o mundo por meio das telas que pintava em seu pequeno atelier.
Na minha última viagem a Poços, semanas atrás, fui visitá-la, para completar sua história com Drummond. Informaram-se que dona Diva falecera. No lugar de sua casa, está sendo montado um barzinho que -espero eu- seja de boa música brasileira.
Aí fiquei pensando que esses meus velhinhos não param de morrer. Parem com isso!

Luís Nassif...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Quero ser o teu amigo
Nen demais nen de menos.
Nem tão longe nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.

Mas amar-te, sem medida,
e ficar na tua vida
da maneira mais discreta que eu souber.

Sem tirar-te a liberdade.
Sem jamais te sufocar.
Sem falar quando for hora de calar,
E sem calar, quando for hora de falar.

Nem ausente mem presente por demais,
simplesmente, calmamente, ser-te paz...

É bonnito ser amigo.
Mas, comfesso, é tão dificil aprender!
E por isso eu te suplico paciencia.

Vou encher este teu rosto de lembranças!
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias!

Pe.Zezinho

segunda-feira, 26 de maio de 2008

... nas lágrimas que choro sempre brilham diamantes dispersos, errantes,que vão pelos caminhos das pedras de outras vidas fazendo-as brilhar. Consolo com minhas lágrimas e curo o pranto de outros olhos, fazendo-os mais vivos empanando a tristeza. Queria eu penetrar no mundo das vi-das sem sol e sem calor e consolá-las com o pouco de vida que me resta aí morreria feliz pois aqui onde estou parece que o mundo me esqueceu. Muito obrigada a vocês que me fizeram sem luz e sem calor deixem-me só. Quem sabe é isso que mereço mas uma coisa digo a vocês nunca se esqueçam que a vida cobra o seu prêço e, se porventura eu não devia receber este tratamento ela, a vida vai fazer com que todos leiam esta mensagem e sintam a grande mágoa que estou passando e saibam também que a solidão que hoje se abate sôbre mim eu nunca deixei ninguém passar fui procurar uma maneira de estar junto de você, você, você, você, você, você.... todos sabem porque estou e para quem mando esta mensagem. È cobrança isso?... é, não tenham vocês nenhuma dúvida. Maria Célia.

... xozinha aos 6 anos. Não conseguimos lembrar se ela tem um gato no braço, desesperado para sair correndo ou se é algo mais suave. Um bichinho de pelúcia, por exemplo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Meta

... Dispenso o emaranhado de tristeza.
Jogo a saudade sobre a mesa,
grudo os desapontos no teto.
Passo reto,
abro alas.

Arrombo portas, devasso salas,
empurro mágoas pendentes no corredor.
Recolho um favor que, desprezado,
jaz no canto, roto e desbotado,
encosto de lado um desafeto.
Abro alas,
passo reto.

Banho-me lá fora
com a gota de lua caída da aurora,
e lavo minha história.
Quando enxuta,
divisam-se glórias impolutas
e brilhos de fôrças e conquistas.
Descubro-me mulher, guerreira, artista
e bato palma.
Abro meus braços,lavo a alma;
percebo logo alí um sol nascente.
Meu passo é reto,
abro alas.
Sigo em frente.

... Flora Figueiredo

segunda-feira, 12 de maio de 2008





Querido diário

... ontem foi o dia das mães. A maioria das pessoas estavam reunidas. Umas felizes com os seus filhos , que neste dia ficam sempre bonzinhos são cheios de carinho para com a mamãe. Acho o dia das mães sempre muito bom porque desperta o sentimento e a emoção dos filhos que nem sempre em dias normais são carinhosos e atenciosos com aquela que só vive para êles e, conforme dizia minha avó a mulher quando se torna mãe nunca mais tem uma só noite de sono tranquilo, todo o seu mundo e a sua vida estão acorrentados a seu filho. Isso é bom porque ela nunca mais vai sentir-se sozinha. A solidão é a pior coisa do mundo mas quem ama nunca está só porisso por favor amigos e familia não me deixem só, gostem de mim porque sou uma pessoa legal e só quero de vocês um pouquinho de seu tempo, tá ?

Até mais ver, querido diário.
Maria Célia

segunda-feira, 5 de maio de 2008

...Querido diário


... no verão de 1976 esta sereia não descansou só ficou se bronzeando e observando o movimento na praia de Copacabana, vendo com olhos gulosos os gatos até que alguns tentaram arranhá-la e aí ela sumiu porque naquele tempo só se podia olhar com os olhos e lamber com a testa.Minha irmã ......xó, de muita saudosa lembrança e que eu perdí no ano de 2007.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

...Querido diário











... Como este fim de semana recebi telefonemas da família; São Paulo e Garça vou comentar com você. Duta diz que eu preciso me distrair porque não adianta chorar é preciso viver. Isso é verdade se eu estou viva né... Vamos ver se fico mais animadinha e começo a trabalhar novamente no que gosto de fazer. Nita diz para eu telefonar pra ela, quando estiver triste. Pode ser a cobrar, ela não se importa. Amei receber telefonemas das minhas primas, já não me sinto tão só. Oba, elas gostam mesmo de mim. Nitinha, vou colocar hoje umas coisas que você vai gostar muito, tenho certeza. Até mais ver, querido diário.Maria Célia.

segunda-feira, 14 de abril de 2008


...eu já fui assim. Lindinha, vocês não acham? Nesta época eu tinha uma infinidade de fãs mas não namorava muito e nem ficava porque eu morria de medo de homem. Eu gostava deles mas minha avó falava que se eu desse pra eles, mesmo que fosse só um beijo de língua eles não iriam se casar comigo. Aconteceu o contrário. Os que eu queria para ficar comigo pensaram que eu não gostava deles. Pronto, coitada de mim, perdia o grande amor da minha vida. Ai começava tudo de novo; com outro, é claro. Muito legal, né?Mas chegando nos finalmentes deu tudo certo. Amei sem precisar casar. Bendita vovó, salvou a minha pele. Faltou o filho que eu queria tanto, porque a gente vai protelando, protelando e de repente seca (menopausa) e nada feito . Mas valeu assim mesmo. Será que é isso o livre arbítrio?

... minha vida agora é assim: ... a noite está tão fria, chove lá fora... (viva Maysa).

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mansamente pastam as ovelhas.

Mansamente pastam as ovelhas. (Rubem Alves)quando Toninho do PT foi assassinado.

(folha de São Paulo)2001. O telefone tocou. Era 1 hora da madrugada.Quem poderia ser?Atendo.¨Pai, acordei você? Era a voz da Raquel, minha filha."Acordou", respondi numa mistura de mau humor e apreensão. "Pai, o nosso prefeito, o Toninho, acaba de ser assassinado...¨"

Para a Raquel o assassinato do prefeito era muito mais que um evento político.O Toninho tinha sido seu professor, na faculdade de Arquitetura. Ela estava compartilhando comigo a sua dor e ódio pela perda de um amigo,um homem que ela admirava. Meus pensamentos ainda mergulhados na sonolência, se transformaram num bloco de pedra: pura estupefação e horror. Senti a dor da perda do Toninho. Ele era um homem manso que sonhava coisas bonitas para Campinas. Numa conversa, faz uns meses,êle me disse que estava imaginando um jeito de realizar, praticamente aquela coisa de ¨política e jardinagem.que eu havia escrito na folha. E fiquei contente...

Mas o que senti foi muito mais que a dor pela perda de um homem bonito. Já havia passado por experiências semelhantes. Quando meu amigo Elias Abrão , que havia sido secretário de Meio Ambiente de Curitiba, secretário de Educação do estado do Paraná e era deputado, morreu num desastre automobilístico, chorei como nunca havia chorado em toda a minha vida.

Mas a dor era diferente. Minha dor pela morte do Elias Abrão foi dor pela morte do Elias Abrão:nada mais. Dor num estado puro. Mas a minha dor pela morte do Toninho está sendo diferente. Porque a forma como êle morreu, assassinado estabelece entre nós uma difícil comunhão...nosso destino está ligado ao dele. Veio-me à memória um texto sagrado que diz que Jesus,"vendo as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes como ovelhas que não têm pastor".
Ovelhas são animais mansos, sem garras ou chifres, incapazes de se defender. Morrem mansamente nos dentes dos lobos. E dizem que nem mesmo balem. Morrem silenciosamente. Essa é a razão por que é preciso que haja pastores que as protejam. O pastor traz na mão o cajado, arma para a defesa do seu rebanho. E quando tudo está tranquilo, as ovelhas pastando, os lobos mantidos à distância pelo pastor, êle pode se dedicar a tocar a sua flauta. "Ainda quando eu andar pelo vale onde a morte está à espreita, não temerei mal nenhum; a tua vara e o teu cajado me defendem e consolam"(salmo 23). Um dos corais mais lindos de Bach descreve essa cena:"mansamente pastam as ovelhas..."
Senti a dor da perda do Toninho; êle era um homem manso que sonhava coisas bonitas para Campinas

Ah! Que imagem linda! Seria bom que fosse assim! Os homens, as mulheres, os velhos, as crianças, todo mundo"pastando" pelas ruas da cidade nas noites frescas, sem medo... Que mais poderiamos desejar? A vida pode ser assim, se não houver medo.
E é para isso que o pastor existe: para que não haja medo. A ausencia do medo é o pré-requisito para a vida boa a que estamos destinados. Isso mesmo! Nisso os misticos, os poetas e a psicanalise estão de acordo: o coração está em busca de um mundo que possa ser amado. Nas palavras de Bachelard, "o universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade". Mas essa imagem de felicidade, que dava sentido à nossa vida comum, se transformou numa bolha de sabão. Os poetas insistem em acreditar, continuam soprando e falando de esperança, mas tão longe se formam, as bolhas flutuam no ar e arrebentam.
O Toninho foi assassinado. O lobo- ou lobos, não sei- estava à espreita. E êle era como uma ovelha; ia despreocupado, sem medo, inconsciente do perigo, sem pastor que o protegesse. Foi essa imagem, a imagem da fragilidade e do abandono diante dos lobos, que me comoveu. Sinto dor pela morte do Toninho. Mas sinto uma dor maior por nós mesmos, porque o que aconteceu com o Toninho é um símbolo da condição de todos nós: somos ovelhas sem pastor, a mercê dos lobos.
No tempo em que havia pastores, os lobos eram trancados em jaulas e as ovelhas pastavam soltas mansamente. Agora, sem pastores, as ovelhas se trancam em jaulas e os lobos caminham soltos, tranquilamente. O medo nos leva a nos encerrarmos em jaulas. Não nos atrevemos a andar pelas ruas, pelos parques, pelos jardins, pelas praças. Abandonados, deixaram de ser nossa propriedade. Tornaram-se habitação dos lobos que neles ficam à espreita. E eu me pergunto: de que valem todas as coisas boas que se possam produzir numa sociedade se estamos todos, todo tempo, condenados ao medo?
Alguns explicam a nossa condição como sendo decorrente das estruturas injustas de distribuição de renda: a violência criminosa seria, então, uma simples consequência da violência estrutural economica, que seria a causa. Duvido. Penso segundo a lógica dos negócios. Era costume dizer:"o crime não compensa". Isso era verdadeiro num mundo onde os pastores protegiam as ovelhas.Mas a nossa situação é outra. Vale agora uma outra afirmação:"o crime compensa".E compensa p0orque o estado- pastor supremo!- se tornou um pastor sonolento, vagaroso, de cajado mole. O crime compensa por causa da impunidade. O crime se transformou num empreendimento econômico altamente lucrativo. E os que se dedicam ao negócio do crime não são os pobres, as vítimas das estruturas economicas injustas. Será, por acaso possível convencer os lobos a comer capim como as ovelhas? Os lobos só são convencidos pela fôrça dos cajados.
A morte do Toninho me dá grande tristeza, mas o que me dá tristeza maior é a falta de esperânça, por mais que eu pense, não consigo imaginar as ovelhas pastando mansamente... Assim, só me resta uma alternativa: trancar-me dentro da segurânça precária do meu apartamento e, enquanto escrevo esse artigo, ouvindo o coral de Bach."mansamente pastam as ovelhas..."
Rubem Alves.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Malquerença

... querido diário. Hoje fui fazer uma verdadeira via sacra. Recebi meu salário, paguei contas,fui ao sindicato. Não estou muito inspirada para falar com você. Minha família continua na moita.Jápercebi que êles não querem saber de problemas comigo. Isto é falta de amor quem não procura não se envolve, você não acha?
Célia.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Boa Noite.

Até amanhã, querido diário. Hoje fui bem melhor, você não acha?
Estou quase conseguindo pensar num amanã bem melhor. O Zé Roberto bem que podia entrar no meu blog e mandar um beijinho, só um já basta. Tchau. Célia.





... ela era tudo que eu tinha e se foi para não mais voltar. (minha irmã)

segunda-feira, 24 de março de 2008

... meus queridos ,através do meu diário eletônico, quero desejar que vocês estejam bem e que a Sonia tenha melhorado. Vou telefonar amanhã para o hospital para conversar com ela. Gostei de ouvir a menininha das notas musicais: Mi-re-la. Espero vê-las logo. Estou no Blog porque quero que as pessoas saibam que tenho um grande musico na família. Hoje é dia 24 de março de 2008 e eu estou melhorando das minhas amarguras. Tomara que eu ainda consiga entusiasmar-me com alguma coisa e que retome o gosto pela vida. Ainda espero alcançar um futurozinho, vamos ver.
...Maria Célia.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Um caminho menos árduo

... meu caminho hoje já está um pouco mais suave. Já posso passar um dia inteiro sem chorar e já
estou até escutando minhas musicas em cd e vendo filmes. Difícil é quando desperto dos meus devaneios e lembro-me que estou só e imploro a volta da minha vida dizendo..."quero minha vida de volta. Mas é bobagem pois "vida não volta atrás"... como é cansativa a solidão e como estou cansada e triste de viver sem a Xó, minha irmã que percorreu comigo uma longa jornada que correu tão célere e deixou-me no coração um vazio sem remédio que amenize a dor da perda.

...já nem sei o que digo ou faço, perco a noção das horas e dos dias. Sou a mesma Maria Célia aquela que gostava de acompanhar as notícias do pais e do mundo, que ainda gosta de filozofar mas que perdeu o gosto de sonhar e de fazer política partidária. De uma coisa eu sei, graças Deus ainda preciso fazer alguma coisa para que o meu país melhore e a minha comunidade cumpra o seu papel no mundo assim, posso entender porque ainda permaneço na Terra.

Maria Célia.

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quinta-feira, 6 de março de 2008

CAMINHADA

Hoje vou transcrever uma das mais bonitas poesias que já lí. Vejam que linda:
Vamos caminhar juntos neste poema,
ele ainda não existe
mas busquemos os versos
que nos sevirão de caminho
pela página abaixo.
Há suficiente espaço
para andanças muitas.
Essencial é estarmos calmos
bem atentos ao mínimo incidente
que só um olhar treinado isola
entre as coisas comuns,não erigíveis
em arrepio e espanto.
O belo é caça arisca, faz suspense,
não vem da coisa aos olhos.
ao contrário, exige o olhar que o apanhe
na armadilha de luz.
Psiu, silêncio, algo já está brotando
na tarde seca, ao surdo som
de nossos passos compassados.
Calma, não corra, não se precipite,
o poema é estado fragilíssimo de graça
que ao mínimo descuido de autêntico cristal
se muda em vidro pobre
e sem tinir se parte.
Isso, assim mesmo, assim, segure o fôlego,
olhe alí, entre a relva,
é uma pedrinha humilde
e está chorando,veja,
por não ter nascido flor.
Não viu ainda? Mas escute ao menos
o seu débil apelo
por um gesto solidário.
Atire o laço agora, com perícia,
o laço olhar poeta , olhar-carícia;
olhar amor.
Ótimo explêndido! Eu bem sabia
que com paciência você conseguiria:
Veja como o faz de conta da poesia,
você mudou uma pedrinha triste
na mais ditosa flor que existe.
Volte agora ao comêço,
retorne ao primeiro verso
e comece o seu próprio caminhar.
O vasto mundo tem mil caminhos
para o seu olhar.
Percival Bacci.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Xó versus "O Município"

...foi com emoção que recebi telefonema da redação de "O Municipio" com a notícia que Terezinha Rezende Pinto, minha irmã, foi sorteada com dois filmes de dvd pelas comemorações do aniversário deste lindo jornal, do qual ela era assinante. Infelizmente a minha querida 'Xó"faleceu no dia 9 de dezembro, motivo pelo qual estou recebendo o prêmio em nome dela. Devo acrescentar que o jornal era e continua sendo motivo de alegria quando chega em minha casa. Ela gostava de tudo e lia inteiro o jornal . Agradeço a gentileza dos diretores e da equipe de"O Município" pelo presente e quero desejar a vocês todo sucesso e que tenhamos por muitos e muitos anos ainda o bi semanário em nossos lares.

Maria Célia Rezende Pinto

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

MARIA AUGUSTA E DINAH(Nita,Celina,Célia,Xó)

... certa vez uma jovem chamada Dináh apaixonou-se pelo seu primo como este já a amava há muito tempo, com a aquiescência dos seus pais e da lei, resolveram casar-se. Estava tudo preparado para a linda festa no clube da cidade quando Dináh teve uma visão como se fosse um filme que ela ia assistindo . Viu passar como num transe o nascimento do primeiro filho e a morte deste; viu depois o marido tendo uma grave enfermidade e, morrer doi anos depois desta mesmadoença. Quando aconteceu esta visão ela voltou do terrível pesadelo quando sua mãe gritou chamando-a de volta a realidade. Filha, o que aconteceu perguntou ? Após ter chorado muito ela se recusou a contar a quem quer que fosse, mesmoà sua mãe pois nem ela mesma iria entender o que havia se passado ninguém poderia viver o que ela havia vivenciado. Foi um dia bonito, uma festa alegre, pianos e violinos tocando e Dináh com o coração em pedaços. Tentou esquecer mas não conseguiu. Depois de dois anos seu filho nasceu e aos dois anos e meio morreu. Dináh nunca mais teve paz. O marido faleceu aos 33 anos de idade e ela criou quatro filhas. Ficou muito pobre e teve que trabalhar muito mas criou as filhas com todo amor deste mundo. Maria Augusta, avó das meninas foi delas, a segunda mãe e esta é a história da minha família. Existe uma fantasia mas a maioria é real.

Maria Célia. 26/02/2008.

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Para minha irmã Anna Maria.

...Hoje estou bem melhor dos machucados que a vida me fez. Começo a crer mais em Deus pois
rezando aprendi a contar com Ele através do meu anjo da guarda e de Nossa Senhora. Se não fosse assim acho que eu não conseguiria chegar até este estado em que me encontro agora. Sei que vão haver altos e baixos mas agora também sei que tenho uma fôrça interior maior do que imaginei. Não quero que você Nita fique triste e preocupada comigo pois você sabe que esta sua irmã sempre consegue dar a volta por cima porque pode contar com vocês quando a dor fica mais forte. Logo você vai rir comigo de novo, viu meu bem. Vamos confiar em Deus e na vida que Ele está nos dando ainda. Coragem para todos nós. As fotos estão lindas. A mais linda é a Bruna. Amei o presente My Way. Beijos Célia

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

... hoje é dia 21 de fevereiro. Acho que esta dor não vai passar apenas ameniza e a gente consegue ir tocando a vida sem motivação mas sem desespero. Já é uma grande coisa. Xó foi para mim tudo de bom. ..ela defendeu-me das injustiças com garra e coragem, quando estas me faltavam. Nunca deixou que eu fraquejasse se fosse preciso empurrava com a unica mão que podia usar, mas deixar-me cair, nunca. Agora que me encontro tão só, procuro um Deus pois só Ele pode substituir minha irmãzinha. Não quero cair. Quero seguir em frente como ela sempre quis e, agora junto dos anjos, como ela se encontra tenho esperança e fé que o amor que ela sempre sentiu por mim, continua e eu busco na coragem desse amor o caminho que me falta percorrer. Maria Célia.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

sempre

... pelo rincões do mundo
e nos recantos tranquilos da vida,
caminhávamos unidos,
juntos no mesmo passo
nas mais diversas paisagens.

Um dia: tempo
seguindo célere
passou por nós que,
indiferentes,unidos
juntos no mesmo passo
conta não demos dele
felizes,nas mais diversas paisagens.

Pelo tempo que passou
os passos desafinando,
desfilando, desalinhando... Separados
Sem rumo eu
sem rincão,
sem alvorada
Triste vazia, a vida,
sempre na mesma paisagem. Maria Célia 1989

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

...o meu blog começa com o dia mais triste da minha vida. Perdi minha irmã, meu norte. Hoje estou um pouco melhor e já posso falar das outras que me acompanharam na dura caminhada da vida. Anna Maria e Celina. Ana Maria é a nossa Nitinha casada com Gilberto, mãe da Norma e Miguel. Avó de Gabriela, Bruna, Ana Luiza, Izabella e Rodrigo. Celina é a nossa Religiosa das cônegas do Santo Sepulcro. Mora em Campinas(interior de São Paulo). Esquecí de dizer que Nita
mora em Garça(s.P) meus sobrinhos moram em Floripa e Miguel o outro sobrinho mora em Porto Velho(Rondônia). Ele é Deserbargador do estado. Eu estou morando sozinha porém tenho amigos maravilhosos inclusive a mais querida que com toda paciência coloca esta senhora idosa no computador . Hoje é só. Até outro dia.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Uma história de dor.

Há dois meses perdi minha irmã e agora não sei o que faço da vida. O mundo ficou tão vazio que
não sei como caminhar nos espaços. Eles se tornaram tão grandes que caminhar fica difícil, fico num espaço tão pequeno e não posso mecher-me e vejo tanto lugar sobrando mas, não tenho coragem de movimentar-me nesse pedacinho,falta-me coragem. Hoje gostaria que alguem que
sofreu alguma grande perda viesse conversar comigo talvez melhorasse a minha dor.Gostaria de acreditar com certeza em algo mais além desta vida mas a dúvida teima em atormentar-me a existência por mais que eu reze e peça luz para guiar a minha estrada escura e assim possa sair deste minusculo lugar.
Maria Célia